Verdadeiro Desabafo

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Verdadeiro Desabafo

Mensagem  João em Sex Abr 13, 2012 10:34 pm

Sou um gajo casado, e ainda trabalho.
Trabalho em Espanha e a minha mulher em Portugal, gostava de ter filhos mas não tenho possibilidades dadas as circunstâncias.
Não digo abertamente que tenho EM, para não ser "dispensado", ou tratado de forma diferente.
Estou cansado de "viver", todos os dias é uma luta, chego à conclusão de que na maior parte do tempo simplesmente sobrevivo.
Sou teimoso demais para terminar voluntariamente a minha existência, e tenho consciência de que tal facto seria uma grande perda para a humanidade (a minha avó de 94 anos até dizia que quando eu chegava a casa era Deus que entrava).
Sou calmo, teimoso, por vezes analiticamente chato, sempre procuro diferentes perspectivas, sou honesto, leal, carinhoso, por vezes brincalhão.
Sinto que me falta algo.
Falta-me a paz, não consigo ter a paz por mais do que breves instantes. Estou numa guerra contínua comigo mesmo, só assim consigo realizar o trabalho (apesar da fadiga) destacando-me por vezes bem acima de outras pessoas. Tenho de me superar a cada instante para não ceder à fadiga, e à depressão (passo o dia a aturar malucos, infantilidades e a estupidez de pessoas supostamente muito inteligentes).
Gostava de ter um trabalho intenso mas bem organizado (em vez de muito desorganizado e extremamente intenso).
Gostava de ter filhos (preciso de alguém que goste de legos em casa).
Gostava de ser mais EU.
Gostava de poder dar o meu máximo em vez de estar limitado/desaproveitado.
Gostava de criar coisas novas, eu tenho imensas ideias (se me dessem a oportunidade/tempo).
Gostava de poder fazer algo que me apaixonasse.
E agora gostava de ir para casa (já é hora disso) e em vez disso estou ainda à espera que uns testes experimentais terminem.

Neste momento trabalho como investigador na universidade, uma média de 50 horas por semana, com picos que por vezes ultrapassam as 90 horas por semana. Talvez seja porque eu apenas me sinto atraído por desafios ... mas começo a sentir-me cansado.
Agora procuro algo mais calmo... na indústria, ou nos serviços.

Com tudo isto quase acabo por me esquecer que tenho EM... neste momento é capaz de ser um problema menor.
Eu quero ser EU... com ou sem EM, se eu puder ser EU então sou feliz.

João
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Mensagem  anah em Qui Abr 26, 2012 12:29 pm

Posso dizer "LIKE"?

Adorei ler o teu texto... Podes ter a certeza que os dias vão melhorar... eu tb tenho EM e sou investigadora numa universidade... Neste momento estou em Portugal depois de ter passado uma boa temporada fora... Falo abertamente da minha EM com colegas e com os meus chefes... é a maneira que encontrei de "lidar" com a minha condição e ajudar a desmitificar alguns dos preconceitos...

Tenho um "namorido", um filho e planeio ter um segundo a médio prazo (se a FCT deixar LOL)... Sem dúvida que há mais para além da EM... cada dia é um novo potencial de coisas boas, e há que acreditar nisso mesmo...

Há dias em que me sinto exausta... em que pensar que tenho apenas que me levantar da cama me cansa ainda mais... mas tenho uma família que adoro, e um "emprego" que me realiza... se existem coisas que podiam ser melhores? Claro! Mas é melhor pensar nas coisas boas e pensar que coisas ainda melhor virão...

Espero que venhas a ter tempo para seres TU... isso é o mais importante para te sentires mais positivo! Sei que é dificil e por isso desejo-te toda a sorte do mundo... e se precisares volta a desabafar...

Um grandes abraço

Ana

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